Émilie, Marquesa Du Châtelet: notas sobre dois retratos

Você pode citar esta entrada:  SECCO, Gisele D. “Émilie, Marquesa Du Châtelet: notas sobre dois retratos” em Notas de Pesquisa. Memória e Acervos Digitais da Cátedra UNESCO para a História das Mulheres na Filosofia, Ciências e Cultura. Acessado em (adicionar data do acesso e link para esta página).

Não pense, veja! Uma aproximação

Começo com um pedido: considerando sua primeira impressão, você diria que os dois retratos abaixo representam a mesma pessoa?

Figura 1 – “Retrato 1” e “Retrato 2”, para um exercício inicial de comparação

Se sua resposta é positiva, ela coincide com o que comumente se aceita: se trata da mesma modelo. Mais do que isso, a modelo dos retratos seria a física, matemática e filósofa francesa Gabrielle Émilie Le Tonnelier de Breteuil, Marquesa Du Châtelet (1706-1749).

Se sua resposta é negativa, ela coincide com os resultados de pesquisas recentes que, com base em argumentos de natureza histórica, iconográfica e estilística, mostram que a modelo do primeiro retrato é a astrônoma francesa Nicole-Reine Étable de La Brière Lepaute (1723-1788).

Se você ficou intrigada e quiser saber mais sobre esta confusão, te convido a ler as notas abaixo. Elas resultam de um estudo que estou realizando a convite da Prof.ª Nastassja Pugliese, e refletem os caminhos que tenho percorrido ao explorar, embora não exclusivamente, os textos de Catherine Voiriot (2005, 2019, 2022a, 2022b), Elisabeth Badinter (2004/2005) e Michel Toulmonde (2022) sobre os retratos, suas modelos, e seus retratistas. 

Ao estudar esses textos, e continuamente comparar os retratos (não somente os dois acima, que serão o foco principal de alguns dos argumentos que você vai ler aqui, mas outros retratos conhecidos de Du Châtelet e de Lepaute, que você também verá a seguir), algumas perguntas mais gerais acabaram aparecendo – como questões sobre a frequência e as razões para tais equívocos de atribuição de imagens a figuras históricas. 

Essas questões foram motivas pelo conhecimento de casos similares, um deles muito próximo de nós: pois a partir das pesquisas realizadas pela Prof.ª Monalisa Carrilho (UFRN), e tal como explicado nesse estudo preparado pelas pesquisadoras da Cátedra para o Projeto Vox, sabemos hoje que a filósofa brasileira Nísia Floresta Brasileira Augusta (1810–1885) foi sujeita ao mesmo tipo de atribuição errônea, tendo por anos sido retratada como ninguém menos do que sua maior detratora, Isabel Gondim (1839-1933). Além disso, Yasmin Pontes também já notou que, a despeito do retrato que se contra amplamente divulgado na internet como seu, a filósofa britânica Mary Astell (1666-1731) não teria jamais sido retratada. Isso sem contar o caso de um filósofo alemão bastante conhecido, cuja iconografia contemporânea por vezes inclui erroneamente um retrato de seu crítico Friedrich Heinrich Jacobi (1743-1819). Assim, as notas finais farão referência a artigos relativamente mais antigos, de teor fundamentalmente historiográfico, sobre casos de falsa atribuição de retrato – os textos de Charles Henry Hart (1913) e Henry Wilder Foote (1944).

Vamos, então, aos fatos (e argumentos)!

Leia a nota completa aqui

 Declaração Universal dos Direitos Humanos

Adotada e proclamada pela Assembleia Geral das Nações Unidas (resolução 217 A III) em 10 de dezembro de 1948.

Artigo 27 – Direito à ciência

1. Todos os seres humanos têm o direito de participar livremente na vida cultural da comunidade, de fruir das artes e de participar do processo científico e de seus benefícios.

2. Todos os seres humanos têm direito à proteção dos interesses morais e materiais decorrentes de qualquer produção científica, literária ou artística da qual seja autor.

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